Infecção urinária: o que devemos saber para prevenir?

por Gigi em 22 de novembro de 2017

A pedido de uma leitora, vamos falar sobre infecção urinária. A infecção urinária atinge 10% nos homens e 20% nas mulheres a partir de 65 anos de idade, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia e, após os 80 anos esse número duplica.

A incidência é maior em mulher do que nos homens por causa do tamanho da uretra. A uretra das mulheres mede cerca de 5 cm e, dos homens 22 cm, porém após os 50 anos, a próstata aumenta e pode acontecer de ter dificuldades para eliminar a urina e com isso, aparece as infecções.

A cistite é a infecção mais frequente, mas, pode evoluir para uma pielonefrite (infecção dos rins), por sua vez, é a forma mais grave, pois a bactéria chega até os rins, causando febre e mal-estar. O tratamento é mais prolongado e pode exigir internação.

Quais são os sintomas da infecção urinária?

Dificuldade para urinar, ardência, queimação, urgência para urinar, aumento da frequência, urina em pequena quantidade, sensação de não esvaziamento da bexiga, febre, incontinência urinária (perda involuntária de urina), dor na região abdominal inferior (supra púbica) e sangramento.
A pessoa idosa pode apresentar outros sintomas que não são observados com frequência em jovens como: mal-estar indefinido, falta de apetite, fraqueza, calafrios, confusão mental.

A confusão mental repentina, seguida por esquecimento, troca de nomes e mudança de comportamento, pode ser um dos sinais de infecção urinária em idosos. Esse quadro é bastante comum, mas, como a infecção urinária nem sempre tem sintomas em idosos, muitas vezes podem confundir. Geralmente o idoso não apresenta febre.

Fique atento a isso!

Como diagnosticar?

O diagnóstico da Infecção do Trato Urinário (ITU) é feito pela história clínica, exame físico e por exames laboratoriais que são solicitados pelo médico, dentre eles: exame de urina, hemograma completo e cultura da urina para identificar a bactéria e direcionar o melhor tratamento. Outros exames as vezes são necessários para complementar a avaliação médica como, por exemplo, o ultrassom. Como as pessoas idosas podem apresentar sintomas pouco característicos, a urocultura pode ter grande importância nestes pacientes.

As bactérias que causam ITU no idoso são em geral mais resistentes que na população mais jovem, porque, comumente, o idoso repetiu ciclos de antibióticos que leva a seleção dessas bactérias mais resistentes.

Fatores de risco:

Existem alguns fatores de risco  como incontinência urinária, uso de sonda para esvaziar a bexiga, hipertrofia prostática benigna, prostatite, obesidade (devido à dificuldade na higienização), vaginite atrófica, enfraquecimento do assoalho pélvico e deficiência de estrogênio em mulheres, diabetes, ficar segurando o xixi (péssimo hábito, urina que fica parada por muito tempo cria um ambiente que favorece a proliferação das bactérias), bexiga neurogênica, demência, imobilidade, imunodeficiência relacionada à idade, desidratação, comprometimento funcional e contaminação com as fezes e Diabetes.

Alguns cuidados são necessários para evitar a infecção urinária como:

– Orientar o idoso a beber bastante líquido (média de 2 litros por dia), caso não haja nenhuma contraindicação;

-Não segurar o xixi, urinar sempre que tiver vontade;

-Manter o idoso sempre com uma higiene pessoal adequada;

-Lavar com água e sabão neutro a região perianal após as evacuações;

-Evitar o uso indiscriminado de antibióticos, sem indicação médica;

-O banho, sempre que possível, deve ser dado no chuveiro;

-Atenção para a técnica de sondagem, caso seja necessário;

-Manter controle da diabetes, isso ajuda o controle das infecções de repetição;

-Procurar especialista para realizar a avaliação e tratamento mais adequado. Em homens que tem a próstata aumentada é necessário usar medicação para melhorar o esvaziamento bexiga ou partir para tratamentos cirúrgicos que reduz o volume da próstata;

-Banho: lavar bem a região genital e ao redor com água e sabonete neutro ou infantil (não usar sabonetes antissépticos, nem coloridos e nem com muito cheiro) e, não lavar em excesso porque remove a flora natural da pele. Em homens puxar a pele do pênis (prepúcio) para fazer uma higiene mais adequada, retirando os “sebos” (esmegma) e, nas mulheres, abrir os grandes lábios;

-Uso de fralda: nesse caso a atenção deve ser redobrada, deve ter uma rotina de trocas e verificação da fralda. Não deixar muito tempo sem trocar, a urina é ácida e pode provocar assaduras, realizar a troca de 3 em 3 horas. Se possível, colocar a fralda somente no período noturno e, durante o dia estimular o idoso a chamar e/ ou encaminhar ao banheiro e/ ou oferecer o “papagaio”.

Tratamento:

O tratamento é simples, mas é necessária avaliação médica.

-Antibiótico preventivo: tratamento médico que dura em torno de 6 meses e são baixas doses de antibióticos; quem convive com a infecção urinária várias vezes ao ano pode recorrer a esse tratamento;

-Cranberry: recomendam sucos, cápsulas ou a fruta, indicados para o tratamento com a bactéria Escherichia Coli;

-Ingestão de água: mínimo de 2 litros por dia;

-Ingestão de probióticos/ fibras: para auxiliar no bom funcionamento do intestino.




Referências:

1.Tomiko Born. Cuidar Melhor e Evitar a Violência – Manual do Cuidador da Pessoa Idosa – Brasília : Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, 2008. 330 p. Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-idosa/legislacao/pdf/manual-do-cuidadora-da-pessoa-idosa.

2.Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderno de atenção domiciliar /  2013. 2 v. : il. Disponívelem: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/cad_vol2.pdf

3.Moreira Jr.[Internet] Rodrigues T M, Grieco A S. et all. Como diagnosticar e tratar infecção urinária. © Copyright Moreira Jr. Editora, 2010. Disponível em: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4531

4.http://portaldaurologia.org.br

Foto por: Seika



Sobre o Autor

Rita Cassia Ismail

Enfermeira (COREN: 0148972)

Graduada pela Fundação Educacional de Fernandópolis - SP, Educadora em Diabetes, qualificada pelo Projeto Educando Educadores em 2008, Especialista em "Unidade Cardiológica e Hemodinâmica" pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP em 2010 e, "Ativação de Processos de Mudança na Formação Superior de Profissionais de Saúde" pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca - ENSP - FIOCRUZ em 2010, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP/ SP em 2015 e atualmente Coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Paulo - Unimed Araraquara

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